Lições em filmes sobre empreendedorismo

Índice

A ficção sempre foi uma fonte de inspiração e a História comprova que os filmes são capazes de influenciar gerações. Vamos, agora, explorar no Nomadismo alguns filmes sobre empreendedorismo que nos podem ensinar várias lições.

Este é um artigo colaborativo entre dois membros da equipa do Nomadismo: a Krystel e o Ericelmo. Assim, vais ter perspetivas diferentes; afinal, ninguém vê os mesmos conteúdos da mesma forma e ainda bem!

Poderíamos explorar mais filmes, mas o objetivo não é criar uma lista. O propósito é vermos diferentes princípios que podem ser aplicados num empreendimento e identificar os princípios que melhor se aplicam à nossa situação.

The Pursuit of Happiness (lições: incerteza e perseverança)

The Pursuit of Happiness (2006)

Por vezes, a realidade é demasiado dura connosco. Investimos muito tempo e dinheiro nos nossos sonhos para mais tarde vermos tudo desabar.

Antes de se tornar num corretor de bolsa e fundar a sua própria corretora, Chris Gardner era um infeliz.

O micro negócio falhou, endividou-se demasiado, perdeu a casa, a mulher abandonou-o e, por consequência, passou a criar sozinho o filho pequeno.

Apesar da sua condição de sem-abrigo, o sonho de ser corretor de bolsa manteve-se vivo. Praticamente sem dinheiro, sabendo que não havia garantia de continuidade, Chris aceitou um estágio não-remunerado numa corretora.

No final, Chris conseguiu o emprego e o resto é história.

Mas será que foi acertado arriscar tanto? E se ele não conseguisse o emprego?

Bem, a única coisa que podemos confirmar é a perseverança de Chris! Talvez possamos chamar de teimosia. Seja como for, a força de vontade prevaleceu!

Este tipo de habilidade não se aprende em casa ou na escola. Há determinadas habilidades que temos de desenvolver por conta própria.

Ericelmo

Se algo for importante o suficiente, então deves tentar. Mesmo que o resultado provável seja o fracasso. – Elon Musk

The Social Network (lições: lealdade e parcerias)

The Social Network (2010)

Quando se cria uma empresa, a relação entre os fundadores é um fator decisivo. Steve Jobs e Steve Wozniak, Bill Gates e Paul Allen, Larry Page e Sergey Brin, Mark Zuckerberg e… quem? Espera! Quem é o co-fundador ou co-fundadores do Facebook?

O drama do filme The Social Network é precisamente sobre a disputa judicial de Eduardo Saverin (um dos co-fundadores) e os irmãos Winklevoss contra Mark Zuckerberg. Saverin e os irmãos Winklevoss sentiram-se traídos por Zuckerberg e exigiram uma enorme indemnização.

A disputa judicial terminou relativamente bem para o CEO do Facebook, mas não devemos ignorar a sua má relação com os elementos iniciais da empresa.

Os irmãos Winklevoss apresentaram parte da ideia do que viria a tornar-se o Facebook e Saverin era amigo e colega de quarto de Zuckerberg.

Sim, deves ter ambição. Contudo, isso não é justificação para traíres os teus parceiros. Independentemente de acreditares ou não na história do filme, nunca te esqueças de valorizar aqueles que te ajudaram a crescer.

Ericelmo


O The Social Network é um dos meus filmes favoritos (lado a lado com o Eternal Sunshine of the Spotless Mind e o Requiem for a Dream).

Começando pelo que estes três filmes têm em comum: a excelente banda sonora. O compasso sonoro ajuda muito a marcar o passo de uma história e neste filme não é diferente. O trabalho do Trent Reznor (da banda Nine Inch Nails) é, só por si, uma obra de arte.

A história do Facebook é fascinante. Afinal, é hoje uma das maiores empresa de dados, já ultrapassando o conceito de “mera rede social”. O que gostei particularmente na história do The Social Network é a forma de contar a história, sem nos tentarem converter para fãs ou odiosos da rede social.O conceito de rede social fica, finalmente, de fora. Aqui, fala-se de ligações entre pessoas e prova que essas mesmas relações não só estão na base de uma rede social, mas são também a base e a essência de qualquer empresa ou projeto.

Krystel

Faz com que a tua paixão e o teu trabalho sejam a mesma coisa e fá-lo com as pessoas com quem desejas estar. – Ray Dalio (Em: Principles)

Silk Road (lições: liberdade e reflexão sobre os seus limites)

Silk Road (2021)

Sou absolutamente fascinada pela história real que envolve a criação da plataforma Silk Road. O filme de 2021 não é, na realidade, nada de especial e, como é dito logo no início do mesmo, há muita ficção no meio dos factos reais (o que é pena, porque não era necessário), mas é um bom filme para ficar a conhecer a história por alto.

Se não sabes do que estou para aqui a falar, o Silk Road foi um website criado em 2011 na Dark Web. Era, na sua essência, um marketplace livre (imagina uma espécie de eBay ou Amazon sem restrições do que as pessoas podem vender e comprar). O eBay foi, até, a maior inspiração para o Ross Ulbricht, o criador do Silk Road, com um sistema de avaliação bem similar, para não dizer igual.

Os pagamentos eram feitos por Bitcoin e, como o website funcionava na Dark Web com Tor, era impossível saber quem comprava ou vendia o quê. Privacidade e anonimato total. A única restrição e proibição era a venda de algo que pudesse diretamente “fazer mal a alguém ou defraudar alguém”; além disso, era proibido colocar à venda artigos roubados, pornografia infantil ou artigos falsificados.

Este desejo de uma plataforma livre, onde os responsáveis são os indivíduos adultos e onde o governo não tem nada que ver com o que um indivíduo adulto compra ou vende, fez com que a plataforma acabasse por ser maioritariamente usada para compra e venda de drogas.

O criador da plataforma, Ross Ulbricht, foi detido em São Francisco, em 2015, com uma pena que me choca por ser estupidamente alta (pena de prisão perpétua + 40 anos sem possibilidade de liberdade condicional). Aconselho-te a veres o filme para ganhares noção desta história, mas se é algo que queres explorar aconselho ainda mais a leitura da história neste link ou a visualização do documentário Dark Web.

Krystel

The Big Short (lições: oportunidade, coragem e controlo de risco)

The Big Short (2015)

A crise financeira de 2008, também conhecida por crise do subprime, foi um terramoto financeiro à escala mundial. Economias menos robustas como Portugal ficaram de rastos e tiveram de adotar medidas de austeridade.

Porém, costuma-se dizer que toda a crise é uma oportunidade. É verdade que houve muitos estragos, mas também houve pessoas que obtiveram enormes lucros.

Neste filme, conseguimos perceber que não bastou identificar a oportunidade. Como diria Nassim Taleb, foi necessário arriscar a pele, porque se a estratégia falhasse os prejuízos seriam irrecuperáveis.

Embora não seja apologista de arriscar tudo, all in, como no póquer, por vezes temos de fazer grandes apostas.

Em 2008, Elon Musk estava à beira da falência e sabia que a decisão segura era sacrificar uma das duas empresas: Tesla ou SpaceX. Todavia, como não suportou esse asfixiante dilema, investiu em ambas as empresas.

A única certeza nesta vida é a morte. Por isso, a falta de coragem só nos prejudica. O sucesso é feito de apostas controladas.

Ericelmo

A forma de ganhar dinheiro é comprar quando há sangue nas ruas. – John D. Rockefeller

Fyre: The Greatest Party That Never Happened (lições: marketing e ética)

Fyre (2019)

Este documentário da Netflix é o exemplo perfeito do poder do marketing de influência.

Milhares de pessoas pagaram rios de dinheiro para passarem um fim de semana espetacular numa ilha paradisíaca com grandes músicos e top models.

Muito bom para ser verdade, certo? Diz-se que quando a esmola é demais o pobre desconfia. Mas, infelizmente, somos facilmente enganados quando ansiamos por algo e/ou somos infetados pelas emoções de outras pessoas.

Hoje em dia, com as redes sociais, tornou-se óbvio o poder do marketing de influência. Quanto mais sonante for o nome da celebridade, maior é a curiosidade do público.

Por exemplo, cá em Portugal é quase impossível ignorar nomes como Cristina Ferreira, Sara Sampaio e Cristiano Ronaldo.

Sim, saber vender é fundamental. No entanto, jamais devemos abandonar a ética. Fazer falsas promessas é inadmissível. “Que tipo de promessas?”, podes estar a perguntar. Refiro-me a falsas promessas que podem lesar o consumidor a nível financeiro, físico ou psicológico.

Ainda que o festival Fyre fosse 100% virtual e ninguém acabasse magoado, continuaria a ser uma grande fraude.

Se não tens coragem de vender o teu produto às pessoas que mais amas, então não deves vendê-lo a ninguém!

Ericelmo


Este documentário pregou-me ao ecrã do início ao fim. Não sabia da história nem da existência do Fyre até o documentário sair na Netflix.

Eu, que não sou fã do show off das redes sociais, admiro e elogio, no entanto, o trabalho dos chamados influenciadores.

Respeito o trabalho que fazem para criar relações de confiança entre si e quem os segue. Podemos entrar na questão da falsidade e até da facilidade, mas vou recusar esse caminho, porque o interesse do marketing de influência não está aí. A parte interessante desta temática é a confiança entre a pessoa que publica e partilha e a pessoa que consome. Questiono-me muito sobre o que nos faz seguir e confiar em alguém que não conhecemos.

Eu própria sigo alguns influenciadores. Neste momento, sem ter Instagram ou Facebook, as únicas pessoas que sigo que definiria como influenciadores estão no YouTube. Quando abro um vídeo de uma Claudia Sulewski, de um Carioca no Mundo ou de uma Kristen Leo, questiono-me o que me faz estar ali, com eles, vídeo após vídeo. E acho que a questão da identificação é muito importante no meu caso. Sigo pessoas com as quais mantenho pontos de identificação e relativamente às quais sinto que “poderia ser eu” a fazer aquilo. Não as sinto como extraterrestres precisamente porque conseguiram criar uma relação de confiança comigo, o que me leva às vezes a subscrever, comprar e seguir produtos e marcas recomendadas por eles.

Agora, o que me fascinou no Fyre foi a falta de questionamento das pessoas que compram e das que vendem. Não acho que o problema seja apenas de uma das partes (culpabilizar e repreender apenas quem publica é, na minha opinião, idiota e infrutífero). A falta de questionamento de quem compra, de se questionar se estaria a fazer um bom trade-off (tudo na vida é uma questão de troca positiva ou negativa). A ilusão da confiança que criamos com alguém durante tanto tempo leva-nos a tomar más decisões e a deixar de questionar. Como o Ericelmo disse, leva-nos a ser enganados e, neste caso, bem enganados.

Em conclusão, este documentário levou-me a questionar a confiança que tenho com pessoas que não conheço e que me vêm com um produto. Porque, sim, por mais que os influenciadores queiram criar conteúdo de qualidade e ajudar, não te podes esquecer que, no final do dia, és tu (ou melhor, o número que representas) que lhes pagas as contas.

Krystel

The Founder (lições: gestão, modelo de negócio e alavancagem)

The Founder (2016)

Um dos aspetos mais difíceis de qualquer negócio é a gestão. Simplesmente não existe uma fórmula certa! Cada um faz à sua maneira!

Outro aspeto é o modelo de negócio. Como se vai gerar receitas? Quais são os custos? Que serviços serão subcontratados? Haverá freebies?

Este filme sobre Ray Kroc, que, em 1955, fundou a McDonald’s System, Inc, demonstra como podemos escalar um negócio rapidamente através da repartição eficiente de tarefas e do uso inteligente da alavancagem (crédito).

Se pensas que o negócio da McDonald’s é vender fast-food, então só conheces metade da história. O verdadeiro negócio é comprar ou alugar (leasing) imobiliário em zonas nobres, por exemplo, o Marquês de Pombal ou o Rossio, através de crédito imobiliário. Esta dívida, por sua vez, é paga pelo restaurante que ocupa o espaço.

Isto gera enormes lucros para a McDonald’s porque o crédito imobiliário oferece vantagens fiscais. Ao criar restaurantes também se geram outras vantagens fiscais.

Basicamente, a McDonald’s é uma multinacional financeira que afirma vender fast-food.

Se planeias criar um empreendimento, estuda a relação entre as partes operacional e financeira. Lembra-te de que a contabilidade é a tua melhor amiga e o dinheiro é o combustível da empresa.

Ericelmo

Esperamos que estes filmes te tenham inspirado. Podemos sempre aprender algo novo com a sétima arte.

Trabalha por conta própria e remotamente desde 2015. É a fundadora também do Nomadismo Digital Portugal. Curiosa por natureza, passa demasiado tempo a questionar-se sobre o futuro das coisas. Vive hoje na Califórnia, em Silicon Valley, onde estuda Futures Thinking e reflete, demasiado, sobre o futuro.

O Ericelmo Augusto é freelancer em Marketing Digital, licenciado em Comércio e Negócios Internacionais (ISCAL) e aluno do Mestrado em Marketing Digital (Universidade Europeia).

Entra na Comunidade Digital

Partilha as tuas dúvidas, questões e reflexões no fórum privado do Nomadismo

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subscreve a newsletter e recebe conteúdos exclusivos

A newsletter do Nomadismo não é apenas uma notificação de novos conteúdos. Na newsletter tens acesso a partilhas sobre trabalho remoto por conta própria que não faço faço em mais nenhum outro lugar.

O teu email está seguro e não será vendido ou passado a terceiros. Lê mais sobre na política de privacidade simples de entender do Nomadismo. A qualquer momento podes desinscrever-te da newsletter.