Será possível trabalhar no digital sem redes sociais?

Redes Sociais - Trabalho no Digital - Nomadismo Digital Portugal

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O meu afastamento do Facebook e do Instagram não é algo novo. Já tinha partilhado no ano passado o meu afastamento, mas, nos últimos meses, com leituras e reflexões sobre tecnologia, privacidade e política, percebi que as redes sociais estavam a condicionar muito do que pensava (e ainda penso). Por isso, em junho, decidi eliminar as minhas contas de Facebook e de Instagram.

Ouve o episódio do Officina Podcast, onde conversei com a Cláudia Fonseca sobre como é a vida sem redes sociais

Tomei esta decisão antes de o documentário The Social Dilemma ter estreado. Quando vi o lançamento do documentário fui logo vê-lo com uma curiosidade acrescida.

Esta minha partilha não tem uma relação direta com o documentário. Enquanto trabalhadora independente remota, ao tomar a decisão de não usar ativamente as redes sociais acabei por refletir sobre se será possível “viver digitalmente” sem redes sociais nos dias que correm.

Que implicações isso traz para alguém que, como eu, trabalha de forma totalmente remota e independente (leia-se, tem de procurar e captar os seus próprios clientes)?

A adaptação do teu “eu profissional” ao teu “eu pessoal”

Comecemos pela parte do trabalho remoto.

Antes de mais, é importante dizer que o meu trabalho não é vender estilo de vida ou experiências. Eu vendo serviços, consultorias e produtos digitais. Se o meu rendimento estivesse relacionado com o meu estilo de vida e comigo, e me obrigasse a fotografar e mostrar o meu dia a dia a uma audiência, acho que esta questão seria diferente.

Ressalvas feitas, vamos continuar.

Trabalho como trabalhadora independente remota desde 2015 e nunca tive um perfil profissional nas redes sociais, exceto o LinkedIn, onde nunca fui propriamente ativa no que diz respeito a publicações ou partilhas. 

Então, se não foi através das redes sociais, como é que encontrei clientes? Como é que, mais de cinco anos depois, continuo a trabalhar como trabalhadora independente sem nunca ter tido problemas a encontrar e fechar projetos?

Antes de mergulhar nesta questão, é importante dizer que o que funciona para mim não significa necessariamente que funciona para toda a gente.

O que funcionou para mim foi adaptar-me enquanto profissional ao que sou enquanto pessoa. Afinal, decidi criar a minha atividade profissional para ser feliz, não para embarcar em estilos de vida e de trabalho que não se adaptam a mim.

No Nomadismo falo muito de adaptabilidade porque acredito que este aspeto é mesmo a chave de um bom profissional da era moderna. Tens de saber exatamente quem és como profissional e como pessoal especialmente se trabalhas por conta própria.

A magia da Internet e do digital é isso mesmo. Podes criar e trabalhar de formas adaptadas a ti e às tuas preferências.

As redes sociais vêm e vão

Sou uma apaixonada pela Internet. 

Desde os meus oito anos que me interesso por saber como é que “as coisas aparecem no ecrã”. Aos 11 comecei a aprender a mexer em HTML e CSS e a fazer templates para o UOL, Blogspot e LiveJournal. Aos 13 tornei-me moderadora de um fórum de blogues no Brasil. Aos 15 passava mais horas no DeviantArt do que seria desejável. Passei pelo mIRC, pelo LiveJournal, pelo MySpace, pelo Orkut, pelo Hi5 e pelos Photoblogs/Fotologs. Lembro-me do Vine – e lembro-me bem da morte dele.

Leitura aconselhada: ebook Redes Sociais vs Blogs: Quem ganha essa batalha?

Como mostro neste infográfico, as redes sociais vêm e vão. É certo que a era Facebook (e aqui incluo o Facebook e o Instagram), YouTube e Twitter já dura há bastante tempo.

(clica para veres em tamanho maior)

No entanto, precisamente por entender como a Internet funciona é que sei que é uma loucura depender profissionalmente de uma rede social.

Como não sou fã de redes sociais, tive de pensar e analisar duas grandes questões:

  • Quem são os clientes que quero ter?
  • Com que tipo de pessoas quero trabalhar?

Quando pensei nestas duas questões percebi que uma das principais razões para ter decidido tornar-me freelancer foi precisamente a liberdade de escolher os meus clientes e os projetos em que me envolvo. Então, se assim é… cabia-me a mim procurar os meus próprios clientes (e não fazer apenas com que fosse encontrada por eles).

Ir atrás em vez de ser encontrado

A procura de clientes pede proatividade e uma mudança de mentalidade. 

Durante muito tempo achei  que se não existem anúncios de trabalho, não existe procura” ou que “se não temos a ‘exigência’ pedida, nem vale a pena responder”.

Mas a verdade é que o mundo atual pede mais ação. Pede controlo. Pede coragem. Pede proatividade.

Se estás a trabalhar por conta própria e queres controlar totalmente a tua atividade profissional, começa por identificar as pessoas com quem queres trabalhar. Identifica os problemas que têm (e de que, às vezes, não têm noção) e que tu consegues resolver e vende-te.

Não tenhas medo de mostrar que és a solução para o seu problema. Confia em ti. Envia uma mensagem, uma proposta. O “não” e o silêncio estão sempre garantidos. O “sim”, esse, só tem a possibilidade de acontecer se agires.

Os meus primeiros clientes foram “ganhos” assim. Passei horas a identificar agências e pequenos empreendedores que sentia que podia ajudar e apresentei-me. Enviei propostas personalizadas, muitas delas nunca respondidas.

As que foram abriram-me as portas para os clientes seguintes. No digital, por força de pensarmos em código, temos tendência a esquecer que as pessoas são pessoas. São humanas. E têm contactos e relações. Se tratares bem e ofereceres um serviço excecional a um cliente, acredita que ele vai levar-te a outros de forma totalmente natural.

As relações e redes de contactos

O que me permite ter uma atividade de freelancer independente das redes sociais são as minhas relações e as minhas diferentes redes de contactos.

Faz por te relacionares com pessoas. Cria diferentes grupos sociais com os quais tens alguma coisa em comum. Partilha relações verdadeiras com pessoas que conheces e que tratas pelo nome. Se lhes conseguires mostrar que és um excelente profissional e que prestas serviços excepcionais, serás a referência profissional nesse círculo social – e noutros em que também possam estar pessoas do teu círculo.

A menos que o teu trabalho seja vender um estilo de vida, o que, ou melhor, quem, te paga as contas são as pessoas. São as contratações, são as parcerias, são os teus serviços. Não o número de gostos ou seguidores que tens.

Nota final

Apesar de não ter tido perfis estritamente profissionais, como trabalhador independente remoto é crucial que tenhas muito cuidado com a tua pegada digital. Podes ser facilmente procurado e pesquisado pelos teus clientes ou potenciais clientes, sendo essencial que tudo o que fazes e mostras online esteja alinhado com a pessoa que queres ser enquanto profissional.

Apesar de não usar as redes sociais de forma profissional (não as uso para mostrar portfólio, divulgar ou criar conteúdo sobre a minha área de atuação, etc.), sempre tive um cuidado absoluto com o meu perfil e pegada digital.

Krystel Leal
Krystel Leal
Trabalha por conta própria e remotamente desde 2015. É a fundadora também do Nomadismo Digital Portugal. Curiosa por natureza, passa demasiado tempo a questionar-se sobre o futuro das coisas. Vive hoje na Califórnia, em Silicon Valley, onde estuda Futures Thinking e reflete, demasiado, sobre o futuro.

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