Olá!

Sou a Krystel, sou apaixonada por tecnologia e inovação e passo demasiado tempo a refletir sobre o futuro. Desde 2015 que trabalho remotamente por conta própria, como freelancer em marketing digital. Mas começar não foi fácil. Voltemos atrás no tempo.

Nasci em 1991 em França 🇫🇷🥖e uma das histórias que gosto mais de ouvir os meus pais contar sobre os meus primeiros anos de vida é sobre o livro das Páginas Amarelas.

Se não nasceste depois dos anos 2000, certamente que te lembras das Páginas Amarelas, aqueles livros bem grandes com páginas (amarelas e brancas) bem fininhas, que tinham todos os números de telefone registados no país.

Os meus pais contam que era um dos meus brinquedos favoritos. Ficava horas, sentada no chão, a folhear o livro. Dizem que no início o que me atraiu deve ter sido o barulho das folhas; mas o interesse passou a ser outro quando eu comecei a perceber que o que estava nas páginas eram palavras e letras. Pedia aos meus pais e irmão para me dizem o que era aquela palavra: e pedia sobretudo as que estavam associadas a símbolos… que eram sobretudo marcas de carros. Isso fez com que com menos de dois anos eu andasse pelas ruas a dizer em voz alta as marcas dos automóveis, porque memorizava os símbolos que via no livro e os nomes que os meus pais me diziam.

Com 4 anos fomos viver para Portugal 🇵🇹. Foi em Corroios, na margem sul do Tejo (e no certo lado da vida), que cresci a achar que ia ser Jornalista. Afinal, não havia assim tantas profissões associadas às letras “disponíveis no cardápio de saídas profissionais” que nos passavam na escola.

A Língua Portuguesa foi a minha disciplina preferida desde o meu primeiro ano de escolaridade. Lembro com um tremendo carinho os domingos passados com a minha mãe no antigo Continente do Seixal (atual RioSul Shopping) onde a minha mãe me deixava ficar no corredor dos livros. Enquanto ela fazia as compras da semana, eu ficava sentada no chão a explorar alguma história de um livro. Arrastei a minha mãe para a fila das livrarias nas manhãs de lançamento do Harry Potter – e mais tarde para alguns dos lançamentos noturnos. Adorava ler, adorava escrever e adorava falar.

Todos estes interesses perduram até hoje, mas houve algo que aconteceu quando eu tinha os meus sete ou oito anos, que ditou muito daquilo que eu sou hoje.

A chegada do computador

1998-1999

Tinha mais ou menos sete anos quando o computador fez a sua primeira aparição na minha casa. Já tinha mexido num várias vezes no colégio onde passava as tardes depois da escola, mas ter um em casa era todo um outro mundo.

A internet estava a começar a tornar-se algo comum, apesar dos primeiros tempos para ter internet era preciso deixar de ter telefone. Isto hoje é tudo muito estranho de pensar, mas a verdade é que os telemóveis não eram algo comum, e o telefone fixo era realmente o objeto utilizado para estar e entrar em contacto com outras pessoas.

Os meus pais deixavam-nos, a mim e ao meu irmão, ter internet durante algumas horas por dia – e foi preciso fazer uma repartição de horas e dias para usufruto do computador, visto que era uma guerra acessa entre mim e o meu irmão mais velho.

Depois chegou a internet mais permanente, mas com limite de downloads… o que provocou alguns problemas com os meus pais, porque eu e o meu irmão começámos a descobrir os jogos online e os downloads, provocando algumas faturas de comunicações nada simpáticas de se pagar.

A entrada deste aparelho no meu dia a dia fez-me descobrir todo um novo mundo. Não só o mundo estava literalmente na ponta dos meus dedos, como também o meu interesse começou a aguçar-se à volta da questão: “como raio estas coisas aparecem no ecrã?

Comecei a passar horas a ler sobre como funcionavam os sites. Descobri os blogs e apaixonei-me pela escrita no digital.

CSS e HTML começaram a fazer parte dos meus dias e cheguei-me a tornar aos onze anos moderadora de um fórum brasileiro para bloggers.

Enquanto descobria, como todos jovens da minha geração, ferramentas de comunicação como os canais IRC e mais tarde o MSN Messenger ou o Hi5, a verdade é que o meu tempo era sobretudo passado entre linhas de templates de sites como o LiveJournal, o Blogger ou mais tarde o Tumblr. Enquanto isso, escrevia – e muito – em blogs pessoais ou em partilhas públicas no deviantART. Alimentava assim a minha paixão da escrita, com a nova paixão do digital.

Na foto: este não foi o meu computador, mas poderia ter sido: grande, pesado, branco, com um tapete de rato com paisagens e uma secretária de madeira. Clássico!

A escola continuava normal. Chegado o momento de decidir o agrupamento no secundário, a escolha foi fácil: Humanidades. Afinal, era o caminho para quem queria ser Jornalista. Que outra saída profissional havia relacionada com escrita?

Todo o secundário foi passado a estudar para esse objetivo, que se concretizou com a entrada no curso superior de Comunicação.

Mas outro momento de mudança aconteceu precisamente no final do 12º ano: decidi ir viver sozinha e estudar para Paris. A decisão foi fácil, a sua concretização não tanto.

Nesse último ano de secundário fui com a minha turma a uma feira profissional de ensino secundário chamada Futuralia, que acontece(ia) na FIL em Lisboa.

Convencida que ia continuar o plano de me candidatar a uma Universidade em Lisboa, a verdade é que nessa feira cruzei-me com a Alliance Française, uma organização dedicada a promover a língua francesa e o ensino em França.

Aí o desejo de ser independente apoderou-se de mim e cheguei a casa a dizer aos meus pais: “vou tentar candidatar-me a uma Universidade em França“.

A mudança para Paris 🇫🇷

2010

Com o apoio dos meus pais, mudei-me para Paris em Agosto de 2010. Tinha entrado na Universidade da Sorbonne em Paris, e ia viver sozinha na capital francesa! Mas, nem tudo era uma maravilha: afinal, já diz o Tio Ben que “com grande poderes, vêm grandes responsabilidades”.

A primeira grande responsabilidade de se ser independente é precisamente, ser-se independente.

Tive que arranjar forma de me sustentar, naquela que é ainda hoje uma das capitais mais caras da Europa. Tornava-me assim, como tantas outras pessoas, trabalhadora-estudante. Entre trabalhos de 20h semanais em pastelarias e restaurantes de fast food, trabalhos em caixa de supermercado, missões de distribuição de panfletos em invernos rigorosos ou trabalhos em call centers, fiz um pouco de tudo. E mais fazia, sentia que mais dinheiro precisava para me sustentar, afinal o curso estava a ficar para trás e estava metida numa salganhada de horários e tarefas que me deixavam saturada.

Apesar disso, continuava a achar que estava no caminho que deveria estar – o único que conhecia. Fiz estágios em jornais e agências, mas mesmo sabendo que a comunicação era a área que me apaixonava faltava algo.

Entre toda a agitação de trabalho, estágio e faculdade, sempre que conseguia ter dois dias de férias, viajava. Escapar para cidades em França ou nos países vizinhos era como uma injeção de adrenalina e felicidade. E foi no ano de 2014 que comecei a pensar: “será possível ter um trabalho que me permite fazer isto, sem ter que precisar de feriados ou férias?

Na foto: eu, em Setembro de 2012, na minha segunda experiência profissional para o jornal francês L’Humanité.

Comecei a fazer pesquisas do tipo “trabalhar a partir da internet” ou “ganhar dinheiro online“. Como comentei com o Tiago Faria nesta entrevista, o que me safou nessa altura – e que acredito que foi decisivo para hoje ter este trabalho e vida – foi ter noção de como a internet funcionava (afinal, já a exploro desde muito nova).

Não só através desse entendimento mas também através do rigor de comunicação que um trabalho profissional e sério requer, consegui rapidamente detetar promessas falsas e esquemas de pirâmide.

Foi nessa altura que percebi que ganhar dinheiro online não só era possível, como também havia muitos esquemas de fraude, de burla e esquemas de pirâmide que permitem enriquecer rapidamente, mas que não significavam nada a longo prazo.

Comecei a explorar no final de 2014 as possibilidades de negócio e trabalho que a internet proporcionava, começando a familiarizar-me assim com termos totalmente novos para mim como empreendedorismo e trabalho remoto.

O momento da decisão 💪

2015

O ano de 2015 começou com um dos dias mais marcantes da minha vida até agora: 7 de janeiro de 2015.

Estava na faculdade, era a primeira semana de exames depois das férias de natal e ano novo, e estava a preparar-me para o meu segundo exame dessa semana.

Sentada na cafetaria da faculdade, noto que todas as pessoas começam a pegar nos telemóveis. Pego eu também no meu, e percebo: acabou de acontecer um atentado à redação do jornal Charlie Hebdo e os terroristas estão a monte na cidade. O momento é de confusão, ouvimos dizer que a faculdade vai ficar fechada e que por segurança ninguém deve sair.

O meu telefone toca com a minha mãe e o meu namorado a ligarem-me. Não me lembro de todos os detalhes deste dia, apenas sei que quando cheguei a casa disse para mim: “não quero continuar insatisfeita com o meu quotidiano, e chegou a altura de criar o futuro profissional que quero“.

O ano de 2015 foi o ano que ninguém quer. Nunca passei tantas horas à frente do computador, nunca passei tantos dias a dormir tão poucas horas.

Continuava com a faculdade, com o meu trabalho e agora todo o tempo que me sobrava esta dedicado a descobrir o que raio eu podia fazer profissionalmente que:

1) fosse algo que eu gostasse,
2) fosse algo no qual eu seria realmente boa,
3) fosse algo sustentável, que me desse dinheiro regular, constante e que fosse totalmente independente de plataformas, pessoas ou esquemas.

Comecei por tentar entender quais eram os meus interesses. Depois, foi conhecer as minhas competências. E depois chegou a parte difícil: descobrir o que raio eu poderia fazer.

Nas fotos: saída à rua para mostrar união e solidariedade // faixa na Câmara de Paris // capa do jornal Charlie Hebdo que saiu depois do atentado // memorial criado na Praça da Repúblique

Neste post explico como comecei a trabalhar como freelancer e como cheguei à conclusão que queria trabalhar com criação de sites, estratégia e marketing de conteúdo.

Mas em resumo: testei muito, bati com a cabeça na parede muitas vezes mas mantive-me muito focada no meu objetivo: criar um trabalho que fosse sustentável e que fosse totalmente controlado por mim.

Assim sendo, defini o meu diferencial e os meus serviços principais, que foram de encontro aos meus interesses e competências relacionadas com programação de sites, associado à minha grande paixão da escrita – levando-me à aprendizagem de escrita e otimização de conteúdo digital.

O que fez com que em março de 2016 eu tivesse 100% certeza no que era capaz de criar e escalar foi o saber que eu entendia o suficiente do digital e da Internet para me conseguir adaptar constantemente às mudanças que fossem acontecer.

Foi nesse momento, em março de 2016 que saí de Paris, pus a mochila às costas e comecei a viajar pela Europa.

Já tinha clientes em Portugal e no Brasil, e tinha também nesse mesmo mês, criado o Nomadismo Digital Portugal – um projeto que começou como um simples blog, mas que acabou por mudar a minha vida profissional.

Nomadismo Digital Portugal 🚀

2016

Quando me tornei freelancer a full-time e saí de Paris, decidi que queria passar tudo o que tinha aprendido e aplicado para chegar a esse momento.

Agora já tinha credibilidade para o dizer: afinal, tinha feito tudo aquilo sobre o qual me propunha escrever.

O Nomadismo Digital Portugal nasceu com essa ambição: de passar a informação sobre trabalho remoto e trabalho por conta própria em Portugal, que me tinha sido impossível encontrar durante todo o ano anterior. Passei muitas horas a aprender técnicas e aprendizagens de outros países e investi mais horas a adaptar tudo isso ao contexto e realidade portuguesa, que é tão diferente dos países que nos vendem técnicas milagrosas e multimilionárias.

Menos de 5 meses depois de ter começado o Nomadismo Digital Portugal, que sempre mantive de forma paralela ao meu trabalho como freelancer, estava a ser contactada pela Revista Sábado e pela TVI para dar entrevistas e falar sobre o que raio é isto de trabalhar remotamente. E assim começou a ser um tema tratado na comunicação generalista.

Aceitei convites para falar e escrever um pouco para todo o lado: afinal, era urgente começar-se a falar da possibilidade de trabalhar remotamente e por conta própria no digital de forma sustentável.

Enquanto isso, continuava a trabalhar remotamente como freelancer em marketing digital e a viajar ao mesmo tempo. Budapeste, Bratislava, Berlim, Dresden, Barcelona… até ao momento em que voltei à cidade de Austin, no Texas, em Novembro de 2016 – o que era o primeiro passo logístico para que, menos de três meses depois, estivesse a mudar-me para a região que mais ansiava conhecer: a região de São Francisco e o estado da Califórnia.

Na foto: eu a trabalhar um café no centro de Bratislava, Eslováquia, em Outubro de 2016.

Apesar de ter vindo para os Estados Unidos graças ao trabalho do meu marido, tal não teria sido tão fácil ou possível se eu não trabalhasse remotamente.

Afinal, pude vir sem pensar duas vezes, sem precisar de procurar trabalho – o meu trabalho foi comigo, continuou a ser realizado como tinha sido sempre realizado até aqui, sem problema nenhum.

Essa é a magia do trabalho remoto: é que onde quer que estejas, podes continuar a fazer o que sempre fizeste. O teu trabalho adapta-se à tua vida, e não o contrário.

Mesmo sabendo que nem toda a gente procura esta liberdade, esta foi a caraterística que eu coloquei no topo da minha lista de objetivos em 2015, quando decidi criar e desenvolver este meu trabalho.

Silicon Valley – Califórnia 🇺🇸🌴

2017 - Presente

Hoje moro no coração da chamada Silicon Valley, mais precisamente na cidade de Palo Alto.

Continuo a trabalhar como freelancer de forma 100% remota, mesmo já tendo tido o prazer de trabalhar com pessoas que moram na região de São Francisco, a verdade é que continuo a trabalhar de forma independente e deslocalizada.

Aqui bebo da inovação e do ritmo alucinante da tecnologia e tento levar um pouco disto para Portugal, através dos projetos nos quais trabalho e através, claro, do Nomadismo Digital Portugal.

O meu objetivo hoje com todo o meu trabalho é mostrar-te que o digital não precisa de ser um bicho de cabeças, e quer tu queiras, quer não, entender como funciona o online é indispensável. Estou aqui para te ajudar a entender as possibilidades que o digital te oferece, para que consigas criar a vida dos teus sonhos.

Eis alguns links úteis para continuares esta aventura:

Na foto: eu no campus da Google em Mountain View, Silicon Valley – Califórnia.

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