Startup vs negócio – afinal quais são as diferenças?

Mulher a olhar para um whiteboard e lista de tarefas para ter novas ideias para criar uma startup ou negócio online
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Hoje a palavra startup é tão parte do nosso dia a dia que já não nos questionamos sobre o seu significado. 

Mas, será que sabemos ao certo o que é? 

Ou, já agora, será que vale a pena saber ao certo o que é?

Estamos na casa do Nomadismo Digital e por isso sabemos que a grande maioria dos leitores e leitoras deste texto é empreendedor. Tem o seu próprio negócio, com grau de maturidade variável, que lhe permite viver da forma que prefere, com o grau escolhido de liberdade ou – ok, vou-me atrever! – de nomadismo.  

Então, será que se tratam de startups?

A resposta correta é… depende, mas provavelmente não.

É que uma “startup” no verdadeiro sentido do termo é um negócio mas nem todos os negócios, ainda que recentes, são startups.

O que é uma startup?

De acordo com Steve Blank, uma figura incontornável do mundo do empreendedorismo de Silicon Valley, a definição de startup é a seguinte:

Uma startup é uma organização temporária concebida para procurar um modelo de negócio que seja repetível e escalável“.

Por outro lado, continua ele, uma empresa é “uma organização permanente concebida para executar um modelo de negócio específico, que é repetível e escalável”.

Portanto, a diferença é que as startups procuram um modelo de negócio atrativo, enquanto as empresas já têm esse modelo de negócio e estão concentradas em executá-lo com sucesso.

Ainda segundo Steve Blank esta busca do tal “modelo de negócio repetível e escalável” deve ser feita seguindo uma determinada metodologia, que assenta numa rápida iteração de teste de hipóteses que permitem validar ou não a existência do potencial de negócio que se ambiciona

Esta metodologia, normalmente designada por “Lean Startup”, está muito desenvolvida e foi adoptada a nível mundial como a melhor forma de criar e validar modelos de negócio.

Como se distingue, na prática, uma startup de um negócio?

Mas então, em “linguagem normal” e relativamente à generalidade dos vossos negócios, como se distingue uma startup?

Eu identifico cinco diferenças que não sendo exaustivas, são as fundamentais e que explico abaixo:

  1. A origem da ideia de negócio
  2. O objetivo de crescimento
  3. A estrutura organizacional
  4. O financiamento
  5. A “saída”

A origem da ideia

Enquanto nos vossos negócios a ideia normalmente surge daquilo que é a vossa competência principal, ou aquilo que gostam de fazer, e a procura de clientes segue esse início, numa startup há uma busca ativa de “soluções novas para um problema de um segmento específico de cliente”.

E aquilo que eu chamo aqui a “solução” é na realidade um conjunto formado por produto (ou serviço), um segmento de mercado, um modelo de relacionamento com esse mercado e uma determinada estrutura financeira do negócio – este conjunto de alguma complexidade é o chamado “modelo de negócio”, que as startups desenvolvem com a ajuda do chamado “business model canvas” ou tela de modelo de negócio.

O objetivo de crescimento

Uma startup é uma organização transitória cujo grande objetivo é encontrar um modelo de negócio que possa crescer de forma muito rápida, ou seja, que se possa torna líder no seu segmento de mercado num espaço de tempo curto. E, sobretudo, que isto seja possível com rentabilidade. 

Este é o verdadeiro significado do termo “escalável”, que implica um duplo sucesso – no tamanho do negócio e na sua rentabilidade. 

No caso de um jovem negócio convencional, o objetivo de crescimento não é tão preponderante. Ele existe, claro, mas o horizonte temporal é o do médio e longo prazo. 

A estrutura organizacional

No contexto do objetivo de crescimento, é muito importante que a startup se estruture de forma a não limitar esse crescimento

Isso traduz-se normalmente no recrutamento de uma equipa de gestão e na criação de uma estrutura organizacional de alguma complexidade, que inclui a definição dos principais processos necessários ao funcionamento do modelo de negócio a testar.

Já num pequeno negócio a organização tende a ser simples e muito centrada no líder do negócio, especialmente nos primeiros anos. 

O financiamento

Para possibilitar tudo o que já descrevi como caracterizando uma startup, é fundamental que esta encontre os fundos necessários ao seu crescimento rápido, o que normalmente se faz com recurso a capitais alheios, seja crédito bancário seja – o que é mais frequente – o recurso a capital de risco.

É aqui que entram em cena os business angels e as sociedades de capital de risco, cuja missão é dotar as startups de fundos em montante e permanência suficientes, que permitam a atividade da startup durante um período de tempo considerável, de forma a que a equipa de gestão se possa concentrar nas atividades chave de validação do modelo de negócio, sem a preocupação de como pagar as contas dessa semana.

Mais uma vez, num negócio convencional o que normalmente acontece é que os investimentos vão sendo feitos à medida que as receitas de vendas vão crescendo. E isto pode demorar mais ou menos tempo.

A “saída”

A questão da saída prende-se com a origem do capital que financiou a startup no seu início… 

Os investidores profissionais fazem investimentos com o objetivo de rentabilizar o seu capital, o que significa que em determinado momento vão querer vender as suas participações nas startups (e de preferência por um preço superior ao do investimento inicial). Ou seja, querem “sair” do investimento. E fazem-no habitualmente num prazo previsível, que vai dos 3 aos 5 anos.

Esta saída pode fazer-se por venda da participação aos fundadores da startup, a outros investidores profissionais, a empresas do ramo de actividade ou – last but not the least – na Bolsa de Valores, através da conhecida OPV (em inglês, o IPO).

Ora, num negócio convencional, não existe um timing fixo para esta saída. A venda é mais ocasional e de uma forma geral feita a parceiros estratégicos ou a concorrentes.

Então e a inovação?

No contexto desta definição, uma “startup” não implica necessariamente inovação tecnológica ou invenção. Está centrada em novos “modelos de negócio”. 

Se reparar, não mencionamos sequer a palavra tecnologia. 

Mas, na verdade, os intervenientes nos chamados ecossistemas de empreendedorismo a nível internacional – e o português não é excepção – procuram principalmente soluções tecnológicas ou modelos de negócio que aproveitem desenvolvimentos tecnológicos recentes. 

Mas poderei vir a ter uma startup?

Claro que sim, nunca é tarde!

Este mundo está ao alcance de todos. Basta ter uma ideia de negócio e procurar o apoio certo

Há inúmeros intervenientes naquilo que referi como o ecossistema cuja missão é ajudar a criar startups e apoiá-las durante todo este processo de validação do seu modelo de negócio.

Por exemplo, um excelente início será a participação em hackathons, em programas de ideação e/ou de aceleração de startups, que vão proporcionar não só a metodologia de trabalho como também uma valiosa rede de empreendedores, mentores e financiadores, capacitando cada startup de todos os recursos que necessita para criar e validar o seu modelo de negócio, rápida e eficazmente.

E depois, é só avançar com muita motivação e persistência.


Este artigo foi escrito pela Sílvia Taveira de Almeida:

  • Diretora, Fábrica de Startups
  • Co-Fundadora e CEO, Business Angels Universidade Católica (BAUC)
  • Investor in Residence, CATÓLICA-LISBON
  • Mentora CATÓLICA-LISBON
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