Literacia Digital: o que é e porque é que precisas dela

Computador do Futuro - Literacia Digital - Nomadismo Digital Portugal
Índice

O que é a literacia digital?

Literacia Digital são “as habilidades necessárias para alcançar a competência digital, sustentadas por competências básicas em TIC e no uso de computadores, com o objetivo de recuperar, avaliar, armazenar, produzir, apresentar e trocar informação, e de comunicar e participar em redes colaborativas via Internet” (definição da Comissão Europeia).

O digital já não é uma opção. A evolução do trabalho para uma dominância do digital em relação ao analógico é inegável. Nunca houve tanta gente a trabalhar atrás de um computador. A exclusão digital é apontada como um dos maiores problemas da atualidade, fala-se cada vez mais de literacia digital e discute-se se a Internet deve ser ou não considerado um bem essencial1.

Negar o digital é negar a realidade, o presente e o mundo em que vivemos. Numa altura em que as pessoas passam cada vez mais tempo agarradas aos dispositivos eletrónicos, também cada vez mais são aquelas que olham para a internet e para o digital como uma forma de ganharem dinheiro, de trabalharem e de se sentirem realizadas profissionalmente.

Para além dos adultos, temos também as crianças que parece que nascem a “saber mexer em tecnologia”. Com a pandemia do COVID-19 vimos reaparecer a telescola, mas viu-se sobretudo a adaptação do digital e de plataformas online como forma de realizar aulas, apresentações e até testes e exames2.

Fala-se muito de literacia digital, mas muitos dos recursos que existem são focados nas crianças e nos jovens. O ensino da informática e da programação são aspetos importantes de serem ensinados desde muito cedo, mas, mais do que saber usar e fazer, até que ponto é que não é mais urgente ensinar a pensar na internet?

Sinto que cada vez mais a educação, em todas as áreas e fases, deveria focar-se mais no ensino do pensamento crítico e da análise, do que no ensino do saber fazer.

Aprender a usar o Zoom, o email, o Moodle ou o Word é fácil; qualquer dúvida ou problema que exista, o Google ou o YouTube têm a resposta rápida e, arrisco-me a dizer, muitas vezes mais clara e fácil de replicar do que qualquer explicação entre um aluno e um professor.

O que a internet não tem, a menos que se já se tenha essa preocupação de base e se procure por isso, são incentivos à reflexão sobre as implicações do digital no nosso quotidiano, trabalho e vida pessoal.

Neste artigo encontras dicas práticas para desenvolveres cada um dos pilares da literacia digital. Se queres receber todos os meus próximos conteúdos e workshops focados no desenvolvimento da tua literacia digital, inscreve-te na newsletter.

Literacia Digital: o que é na prática?

Durante vários anos, olhou-se para a literacia digital como o entendimento de ferramentas tecnológicas e de computadores. Hoje, tal como é apontado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) em Portugal ou pela Open Universiteit (OU) na Holanda, não podemos ver a literacia digital como algo que pretende apenas ser reflexo de saber mexer nas redes sociais, saber criar páginas, sites, blogs, ou conseguir ter publicações nas tendências.

Literacia digital é entender, acima de tudo, o que são realmente as redes sociais, o que representa uma página, site ou conteúdo no digital, o que é uma ferramenta, o que é uma aplicação, quais são as implicações de uma palavra, de uma partilha ou de um post.

Não é entender apenas como funciona e como podemos utilizar – é entender de que forma o digital se integra na nossa vida digital e levar essa reflexão a todos os espetros do quotidiano individual e coletivo.

A FCT define cinco pilares para a literacia digital3, enquanto que a Open Universiteit4 vai mais longe e define doze.

A falta de literacia digital é uma desvantagem gigante no mercado atual. Sendo que até 2025 é esperado que 48% das funções sejam para humanos e 52% para máquinas e algoritmos5, é urgente entender de que forma poderemos trabalhar em harmonia com a tecnologia que fará cada vez mais parte das nossas vidas. Não entenderes como funciona o digital é perderes uma possibilidade de adaptabilidade à mudança rápida que já está a acontecer.

O facto de algumas das áreas com maior índice de saída profissional serem a da engenharia6, não é por acaso – é precisamente pela capacidade de adaptabilidade que proporciona aos indivíduos que desenvolvem competências relacionadas com tecnologia e solução de problemas.

Literacia digital não é apenas saber mexer nas redes sociais, saber criar páginas, sites ou blogs, ou conseguir ter publicações nas tendências.

Literacia digital é entenderes acima de tudo o que são realmente as redes sociais, o que representa uma página, site ou conteúdo no digital.

Significa entenderes exatamente o que estás a fazer online e qual é o peso da tua presença no digital. Significa estares um passo à frente na criação da tua adaptabilidade tecnológica.

A literacia digital segundo a FCT

A FCT aponta à literacia digital cinco grandes áreas de competências:

  • Literacia da Informação;
  • Comunicação e Cidadania;
  • Criação de Conteúdos;
  • Segurança e Privacidade;
  • Desenvolvimento de Soluções.

O quadro dinâmico de referência de competência digital para Portugal, integrado no INCoDe.2030, um programa transversal lançado pelo Governo de Portugal em 2017, detalha na perfeição o grau de competências associado a cada uma das áreas da literacia digital.

É um exercício muito interessante de fazeres para analisares a tua literacia digital em cada uma destas áreas e identificares o teu nível de proficiência!

Literacia da Informação

Segundo a FCT, a literacia da informação é um pilar que integra os seguintes aspetos:

  • Pesquisa e filtragem da informação;
  • Avaliação da informação;
  • Armazenamento e recuperação da informação.

Ter uma forte literacia da informação implica não apenas saber usar o Google ou guardar documentos. Implica estabeleceres critérios críticos de análise da utilidade de uma determinada informação, saber identificar as melhores plataformas para guardar determinados dados e conseguir perceber que comunicações são fidedignas ou não. Isto é mesmo as questões básicas de uma forte literacia da informação.

Não ter estes aspetos fortalecidos pode provocar uma exclusão digital por não conseguires encontrar determinadas informações ou não saberes identificar o que te é realmente útil ou não.

No caso de um trabalho remoto, isto pode significar não conseguires encontrar trabalho online ou não conseguir identificar informação que te seja útil para criares ou alcançares os teus objetivos.

As minhas dicas para desenvolveres este pilar da literacia digital:

  • Antes de perguntares, pesquisa: usa e abusa do Google!
  • Perde pelo menos 30 minutos a pesquisar a tua dúvida antes de perguntares a alguém que sabes que sabe;
  • Reúne diferentes respostas e informações sobre essa questão;
  • Quando tiveres vários dados, investe vários minutos a lê-los e a validá-los;
  • Se não encontrares pelo menos três a quatro meios credíveis que citem ou corroborem com a tua informação, descarta.

Comunicação e Cidadania

No caso do pilar da comunicação e da cidadania, aqui encontramos os seguintes aspetos:

  • Interação através de tecnologias digitais;
  • Partilha de informação e conteúdo;
  • Cidadania através de tecnologias digitais;
  • Colaboração através de tecnologias digitais;
  • Código de conduta em ambiente digital;
  • Gestão da identidade digital.

Este é um dos temas sobre os quais gosto mais de falar. Adoro falar sobre pegada digital (falei um pouco desse tema neste direto), e é alarmante a quantidade de pessoas que cruzei nos últimos anos que quer trabalhar no online mas não trabalha esta questão.

O básico que se espera hoje das pessoas relativamente à comunicação e cidadania online é saberem utilizar o email, redes sociais e blogs. É saberem enviar e partilharem conteúdos. É conseguirem identificar serviços oficiais e legítimos e usarem plataformas seguras para comunicarem com essas entidades.

E mesmo assim… quantas pessoas não conseguem diferenciar um email vindo de uma entidade legitima de um email SPAM ou de spoofing7? Quantas pessoas acham que podem ter uma determinada imagem online numa rede social e comportarem-se de uma forma completamente noutra rede?

Quer trabalhes online por conta própria, quer trabalhes por uma empresa, é urgente e imperativo que comeces a trabalhar a tua identidade digital. Não publiques nada que não mostrasses publicamente no teu dia a dia. Como eu às vezes digo em workshops: se não consegues mostrar isso a uma pessoa desconhecida numa paragem de autocarros, não publiques online.

Para além da questão de identidade digital pessoal, a questão das partilhas também levanta outras questões. A falta de fact check faz com que mentiras ou falsas verdades se tornem verdades.

Por mentiras falo claramente de informações, fotografias e vídeos claramente alterados para parecerem verdade (um bom exemplo disso são as deepfakes). Por falsas verdades falo de notícias e conteúdos que apresentam apenas uma pequena parte do que foi dito. Se tirarmos o contexto e a conclusão de um facto, esse facto passa a ser uma verdade completamente diferente. As partilhas fáceis, sobretudo nas redes sociais, são o aliado perfeito para isso: de um vídeo de um minuto tira-se uma frase que, sem o contexto, representa uma verdade completamente alterada.

Verifica sempre tudo o que estás a partilhar, pensa criticamente no que acabaste de ler e ouvir e sobretudo… lê e ouve até ao fim o que estás a partilhar.

As minhas dicas para desenvolveres este pilar da literacia digital:

  • Trata a tua comunicação digital com o mesmo cuidado que tratas da tua comunicação oral/pessoal;
  • Tem um cuidado redobrado com erros ortográficos e pontuação;
  • Não uses o caps lock (maiúsculas) em excesso – é sinónimo de gritar;
  • Envia documentos em segurança, usando e conhecendo ferramentas como ferramentas de cloud e cria links de partilha seguros;
  • Mantem um comportamento cívico e identitário.

Criação de Conteúdos

A internet permite que todos possamos ser produtores de conteúdos. Quer trabalhemos com isso ou não, se temos um perfil e somos ativos nas redes sociais estamos a criar conteúdo online.

Dentro deste pilar, a FCT define como competências:

  • Produção de conteúdos digitais;
  • Integração e reelaboração;
  • Direitos de autor e licenças.

Neste pilar da literacia digital encontramos competências que, no seu formato mais básico, permitem as pessoas de criarem publicações online, de editar e modificar conteúdos e de entender o contexto legal do que se está a fazer.

A última é uma das competências que estou a fortalecer mais nos últimos tempos, e uma das competências que é uma grande fragilidade das pessoas. Lembro-me que quando publiquei no Nomadismo um artigo sobre a utilização de imagens da Google recebi várias mensagens de pessoas que achavam que bastava retirar as imagens do Google e pronto. Afinal se estão online, é de todos. Esta falta de responsabilidade online é muito grave (mas normal… nunca nos ensinaram isto!) – e contra mim falo, que só de há uns anos para cá é que ganhei total consciência disso.

Se queres começar a explorar este tema, podes ler a licença de direitos de autor do Nomadismo. É um bom ponto de partida!

As minhas dicas para desenvolveres este pilar da literacia digital:

  • Seres consciente de tudo o que produzes online: tudo o que escreves, partilhas ou publicas é conteúdo digital;
  • Preocupa-te com o valor e impacto associado a cada produção que fazes: não cries ruído; faz música;
  • Entende o lugar de cada conteúdo (“cada conteúdo no seu galho”);
  • Respeita todas as outras pessoas: se não roubas bens materiais, porque exploras conteúdos digitais?

Segurança e Privacidade

Um dos temas mais exigentes da literacia digital, e um dos que me dá mais prazer nos últimos tempos de explorar! Segundo a FCT, dentro do pilar da segurança e da privacidade encontramos as seguintes competências:

  • Proteção de dispositivos;
  • Proteção de dados pessoais;
  • Proteção da saúde;
  • Proteção do meio ambiente.

Como vês, a privacidade e segurança digital não ficam apenas pelas tuas passwords ou pelo teu umbigo. A literacia digital individual tem uma implicação direta no coletivo.

Saber o que criamos, o que partilhamos e como comunicamos é o que permite gerar comunicação e conexão digital – e saber respeitar a privacidade de todos neste jogo é crucial.

É urgente aumentar a consciência das pessoas em relação às suas passwords, que guardam muitas vezes dados não apenas delas, mas de outras pessoas e entidades. Se és trabalhador remoto, isto é base e essencial para ti. Tens que garantir que as informações do teu cliente estão protegidas, não só o que tu estás a fazer, mas o que ele te cedeu.

As minhas dicas para desenvolveres este pilar da literacia digital:

  • Lembra-te que tudo o que publicas, clicas, visitas, fazes, envias ou crias na Internet fica na Internet;
  • As experiências na internet são reais, mesmo que por vezes não as sintas como tal;
  • Lê e reflete o impacto dos teus dados e partilhas (podes começar por ver o documentário Nada é Privado (The Great Hack) na Netflix);
  • Cria passwords seguras para todos os teus serviços e sempre diferentes (podes usar um encriptador de passwords como o LastPass ou o 1Password);
  • Evita usar redes públicas e sempre que as usares ativares uma VPN. Não uses redes públicas para visitar sites de dados sensível e elimina a rede quando parares de utilizar.

Resoluções de Problemas e Desenvolvimento de Soluções

Pensar criticamente. Identificar problemas e conseguir desenvolver rapidamente soluções adaptadas para eles. Por problemas pode ser, por exemplo, um cliente teu que não consegue instalar um determinado programa – tens que conseguir encontrar rapidamente uma alternativa adaptada. Pode ser também identificares que precisas urgentemente de desenvolver a tua literacia digital – e procurares soluções, cursos, pessoas que queres seguir e contactar para te ajudarem!

A FCT identifica as seguintes competências para este pilar:

  • Resolução de problemas técnicos;
  • Identificação de necessidades e respostas tecnológicas;
  • Inovação e utilização da tecnologia de forma criativa;
  • Identificação de lacunas na competência digital.

As minhas dicas para desenvolveres este pilar da literacia digital:

  • Sê curioso. Tudo o que existe na internet e no digital foi criado por alguém. Tudo é possível de ser feito na internet;
  • Sempre que achares que não é possível, pesquisa. Perde horas de sono a expandir a tua mente e a cruzar diferentes soluções, dados, artigos e ferramentas,
  • Experimenta, testa e cria: tudo fica, mas isso também permite a evolução criativa;
  • O digital não é uma limitação e não descrimina. Não é reservado apenas a jovens, licenciados ou engenheiros. O digital pode ser usado de forma totalmente adaptada o que tu és e queres alcançar.

A literacia digital segundo a Open Universiteit

  1. Conhecimentos gerais e habilidades básicas: conhecer o básico dos dispositivos digitais e usá-los para fins básicos e elementares;
  2. Uso na vida quotidiana: ser capaz de integrar tecnologias nas atividades da vida quotidiana;
  3. Competências especializadas e avançadas para trabalho e expressão criativa: ser capaz de usar a tecnologia para expressar a criatividade e melhorar o desempenho profissional;
  4. Comunicação e colaboração mediadas pela tecnologia: ser capaz de conectar, partilhar, comunicar e colaborar com outras pessoas de forma eficaz e eficiente num ambiente digital.
  5. Processamento e gestão de informações: ser capaz de usar a tecnologia para melhorar a capacidade de reunir, analisar e julgar a relevância e o objetivo da informação digital;
  6. Privacidade e segurança: ser capaz de proteger a sua privacidade e tomar as medidas de segurança apropriadas;
  7. Aspetos legais e éticos: comportar-se de maneira adequada e socialmente responsável no ambiente digital e conhecer os aspectos legais e éticos do uso da tecnologia, plataformas e dispositivos digitais;
  8. Atitude equilibrada em relação à tecnologia: demonstrar uma atitude informada, de mente aberta e equilibrada em relação à sociedade da informação e ao uso de tecnologias digitais;
  9. Compreensão e consciencialização do papel da tecnologia na sociedade: compreender o contexto mais amplo do uso e desenvolvimento da tecnologia, plataformas e dispositivos digitais;
  10. Aprendizagem sobre e com tecnologia e dispositivos digitais: ser capaz de explorar as tecnologias emergentes de forma autodidata e conseguir integrá-las no seu quotidiano;
  11. Decisões informadas sobre as tecnologias, plataformas ou dispositivos apropriados para cada contexto: ser capaz de escolher, utilizar e adaptar a utilização da tecnologia consoante os diferentes contextos;
  12. Uso contínuo demonstrando autoeficácia: manter uma aplicação segura e criativa da tecnologia para aumentar a eficácia e a eficiência pessoal, profissional e coletiva.

O que afeta na tua vida e trabalho a falta de literacia digital

Apesar do aumento do trabalho no digital, a verdade é que se estima que apenas 9% dos empregados no mercado de trabalho português podem desempenhar as suas profissões atuais de forma alargada via teletrabalho8. E esta questão não é apenas relacionada com empresas com políticas de trabalho fechadas ou antiquadas; está também relacionada com o modelo escolar atual que não trabalha as competências tecnológicas necessárias para trabalhar num mundo tecnológico e conectado.

Sendo que até 2025 é esperado que 48% das funções sejam para humanos e 52% para máquinas e algoritmos9, é urgente entender de que forma poderemos trabalhar em harmonia com a tecnologia que fará cada vez mais parte das nossas vidas.

Para além da urgente aquisição de uma maior literacia digital e aprendizagem do que é e de como funciona a internet, o aumento de pessoas a prestarem serviços online ou a criarem projetos monetizados no digital levanta ainda mais questões. Estima-se que muitos dos que trabalham por conta própria na internet não têm práticas seguras10 seja a nível de comunicação, de transferência de dados e ficheiros ou comportamento online.

Por último, um dos tópicos que complementa estas preocupações de falta de literacia digital e falta de práticas seguras no quotidiano, é a questão da centralização da comunicação digital.

Por falta de conhecimento e pensamento estratégico e adaptável, muitos empreendedores centralizam os seus negócios e atividades na mesma empresa ou canal de comunicação, correndo um risco gigante a nível de perda de direitos autorais e de privacidade de dados, fragilizando assim a sustentabilidade profissional tão desejada.

Segundo o Índice de Digitalidade da Economia e da Sociedade (IDES) de 2019, Portugal é um dos países da União Europeia com maior rácio de conexões em banda larga rápida. No entanto, também é um dos países com o maior número de pessoas que nunca utilizaram a Internet e um dos países com níveis mais baixos nas chamadas “Competências Digitais Básicas”. Em 2017, metade da população portuguesa carecia de competências digitais básicas e cerca de 30% não tinha quaisquer competências digitais (sendo a média da UE de 43 % e 17 %, respetivamente).

Na prática, o que isto significa é que temos o peixe mas não sabemos pescar. E se tu trabalhas remotamente, por conta própria e/ou com um projeto digital, saberes usar e fazer já não é suficiente. Precisas de entender o que estás a fazer. Precisas de fortalecer a tua literacia digital.

Não saber o que se estás a fazer pode levar a exclusão digital e, mais grave, a uma exclusão da realidade. Não saber identificar corretamente fontes e notícias e não conseguir adaptar o teu trabalho ao digital pode levar a um total alienamento da realidade política e social do país e, claro, a desemprego. Aliás, segundo a OCDE11, a reduzida literacia digital é uma das mais importantes formas de exclusão social da atualidade12.

Desde de 2015 que, no meu trabalho de freelancer, acompanho pessoas que estão a criar marcas no digital. Fico chocada com a quantidade de pessoas que conheci que têm negócios ou projetos no digital e que têm passwords iguais em todos os serviços que usam, ou acham que seguir fórmulas de conteúdos, pautas de dizeres ou alcançar determinado número de seguidores numa rede social é sinónimo de sucesso.

Se procuras sucesso a longo prazo, precisas de trabalhar a tua adaptabilidade e a tua literacia digital. Trabalhar a adaptabilidade é sinónimo de entenderes o que estás a fazer – não apenas trabalhares em modo automático. Precisas de questionar, de pensar criticamente e fazer diferente.

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Referências

  1. “Uma internet mais barata para quem não pode pagar? Governo fala em tarifa social” – Shifter (link)
  2. “Aulas virtuais no ensino superior: quem fala e quem pensa?” – Público (link)
  3. “Estratégia Nacional para a Inclusão e Literacia Digitais” – FCT (link)
  4. “Experts’ views on digital competence: Commonalities and differences” – José Janssena, Slavi Stoyanova, Anusca Ferrarib, Yves Punieb, Kees Pannekeeta, Peter Sloepa (link)
  5. “Report: Harnessing automation for a future that works” – McKinsey Global Institute (link)
  6. “Conheça os cursos que têm as melhores saídas profissionais em Portugal” – Doutor Finanças (link)
  7. “Why coronavirus scammers can send fake emails from the WHO” – Vox (link)
  8. “O potencial do teletrabalho em Portugal” – Observador (link)
  9. “Report: Harnessing automation for a future that works” – McKinsey Global Institute (link)
  10. “Remote Work Is the Future — But Is Your Organization Ready for It?” – OpenVPN (link)
  11. “Emerging Trends and Issues: The Nature of the Digital Divide in Learning, Synthesis” – OECD Secretariat (link)
  12. “O eGovernment em Portugal: literacia digital e dificuldades de difusão de políticas públicas” – Maria do Rosário dos Santos Garcia Gomes (link)

Trabalha por conta própria e remotamente desde 2015. É a fundadora também do Nomadismo Digital Portugal. Curiosa por natureza, passa demasiado tempo a questionar-se sobre o futuro das coisas. Vive hoje na Califórnia, em Silicon Valley, onde vê os seus questionamentos a materializarem-se bem mais rápido do que alguma vez imaginara.

Krystel Leal
Krystel Leal
Trabalha por conta própria e remotamente desde 2015. É a fundadora também do Nomadismo Digital Portugal. Curiosa por natureza, passa demasiado tempo a questionar-se sobre o futuro das coisas. Vive hoje na Califórnia, em Silicon Valley, onde vê os seus questionamentos a materializarem-se bem mais rápido do que alguma vez imaginara.
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